Esste provérbio nos estimula a praticar a arte do desapego. Quando valorizamos de forma exacerbada algo que possuimos, ficamos com uma sensação de dependência prejudicial ao sentido de liberdade. E se acontece a perda daquilo a que nos apegamos entramos em desespero, como se o mundo fosse acabar.
A sabedoria popular nos faz perceber, na metáfora dos dedos que ficam quando se perde os anéis, exatamente a relevância de que deva ser considerado como importante na vida, aquilo que temos desde o nascimento, nosso corpo e nossa mente, não o que adquirimos ao longo de nossa existência.
O que vale é estar vivo, sadio e com a plena capacidade de pensar e agir, porque sempre podemos recomeçar. Perder bens materiais não determina o fim da vida. Muitas vezes, pelo contrário, provoca uma nova forma de ver as coisas.
Pode parecer uma expressão de autoconsolo. Como quem diz: “poderia ter sido pior”. Na verdade procuro enxergar de maneira diferente. Prefiro entender que “se os anéis se foram” e “ficaram os dedos”, outros anéis, até de maior valor, podem ser adquiridos, e ainda existirão os dedos em que possa colocá-los.
Lastimar o que se perdeu é natural, mas nunca deve ser causa para desânimo ou desassossego. Ninguém consegue superar dificuldades cultivando lamentações. A ausência, na sua vida, daquilo que você possuía pode lhe fazer menos rico, mas não lhe fará menos capaz. Julgar-se poderoso porque tem riqueza material, poder ou prestígio, é alimentar o perigoso vício da vaidade. Se lhe falta uma dessas coisas você vai se imaginar impotente para continuar.
Observo, então, nesse adágio popular a grande lição da humildade e do desapego aos valores do mundo capitalista.